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terça-feira, 27 de abril de 2010

O LUGAR DA AUTORIDADE


Mt 23.8-11.
“Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos. E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus. Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo. O maior dentre vós será vosso servo.”


As massas possuem uma poderosa necessidade de uma autoridade que possam admirar, prestar culto, obedecer, seguir. E quanto mais for empobrecida a individualidade de cada pessoa, mas buscarão o apoio nestas autoridades.


Tais autoridades aproveitam-se e realizam a tentação da nossa natureza humana – ser como Deus, estar no seu lugar. No entanto, a própria idéia que esta autoridade tem de Deus é equivocada, pois Deus é poderoso justamente porque não tem necessidade alguma de exercer seu “controle” sobre os outros. Autoritarismo é na verdade fraqueza.


Nos Evangelhos a figura de uma autoridade que governe sobre os outros é completamente anulada. Neles se anuncia uma sociedade igualitária, uma sociedade de irmãos, onde o culto a personalidade não tem vez, onde a autoridade seja tão-somente função social, onde a obediência torne-se disposição para servir e não submissão do homem ao homem.


Ivo Fernandes
Via blog: Ivo Fernandes

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Senda


Leva um tempo até percebermos o real
Leva um tempo para descobrirmos a fragilidade de nossas teorias
Leva um tempo para enxergarmos os equívocos de nossas narrativas
Leva um tempo para assumirmos nosso engano

Depois de um tempo buscando sistematizar o impossível, desistimos
Falta-nos a competência de aceitar o absurdo
Falta-nos a fé para aceitar o mistério
Falta-nos humildade para entender que a Verdade não cabe nos nossos conceitos

Quando acordamos do sono da ignorância tudo fica em seu lugar
A alienação dá lugar à contemplação da vida humana
A presunção desaparece e nos percebemos um com o restante
E o silêncio reverente ocupa o espaço das falas tolas dos que nada diziam

Abandonamos as bandeiras
Limpamos o rosto
Desarmamos-nos
E passamos a caminhar apenas como gente que vê no outro um semelhante

Nossas prateleiras são esvaziadas
Os livros das especulações abandonados
Nossa leitura passa a ser da vida
E nossa sabedoria nasce do solo da existência

Esse é o nosso tempo
Tempo de deixarmos os rótulos que nos separam
O que é o negro ou o branco?
O que é o rico ou o pobre?
O que é o homem ou a mulher?
O que é a criança ou o velho?
O que é o religioso ou o ateu?
O que é o pecador ou o santo?
O que é o poderoso ou o fraco?
O que é o hetero ou o homo?
Somos todos seres humanos na jornada de tornamo-nos o que realmente somos

Não há nada mais a se dizer
A única Verdade é o Amor
Pois sem Amor jamais compreenderemos o mistério de sermos todos Um
Mesmo que chamemos a estrada de vários nomes estamos todos no mesmo Caminho
E Aquele que nos criou nos conduzirá para Si

Ivo Fernandes
7 de abril de 2010
Via blog :Ivo Fernandes
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