sábado, 19 de dezembro de 2009

Eu nunca guardei rebanhos


Alberto Caeiro diz que nunca guardou rebanhos, mas é como se os guardasse. E que ser poeta não é uma ambição sua, mas a sua maneira de estar sozinho.

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pelas mãos das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.


Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.


Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.


Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.


Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.


Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.


E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.


Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéias,
Ou olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Borboleta Cintilante


Sou assim, livre, uma borboleta cintilante... 
com esses tons de calmaria, de quem vem de longe... 
e de uma dolorosa metamorfose.  
E, sou assim leve, viva... tenho pressa, e esta, 
se chama pressa de viver, de sentir toda liberdade 
concedida, assim... cheia de graça... pairando
 calmamente entre flores de puro carmim...
(Borboleta Cintilante - Lucilene Soares)

Fragmentos de mim







Sou assim, muitas vezes fragmentos de mim... 
Mas em todos sou Luz, a luz que vem do justo Sol. 
Não me importo em ser piegas, sou menina e sou mulher... 
Que pensa ser indefesa... Sou é forte! 


Incurável romantismo tenho em mim, 
Sonhadora eu sou... num imenso misto de  emoções, mistérios e fantasias... 
Sou amante da poesia, borboletas, céu, estrelas, olhar o mar, pôr do sol, 
brisa de outono, e cheiro de chuva... 


Sou o sossego que desasossega quem não compreende... 
Sou profunda na oriunda subversão para o bem,  
Sou difusa na profusa calmaria em meio às tempestades, 
As vezes sou barco à deriva, 


E, meu olhar ao léu é contemplativo da beleza da criação, 
olho tudo, vejo tudo, sinto tudo... 
Tento ser mais gente e passei a andar só com gente ... 
Sou intensa sim, mas, não vivi nada ainda, 


Sou uma rara Flor em pleno sertão, caminhando na contramão... 
E, com graça vou resistindo às adversidades, 
E, nas pétalas do meu coração contém orvalho de amor, paz e bondade. 
Nestes fragmentos de Luz re-começo, Não serei mais a flor, Agora sou Beija-flor.
(Fragmentos de mim - Lucilene Soares dez/09)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009


Eu canto porque o instante existe E a minha vida está completa Não sou alegre, nem sou triste: - Sou poeta."






"Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar.
Por que havemos de ser unicamente humanos,
limitados em chorar?"



Dize:
O vento do meu espírito
soprou sobre a vida.
E tudo que era efêmero
se desfez.
E ficaste só tu, que és eterno . . .



Cecília Meireles
In: Cânticos

Improviso do Amor Perfeito





Naquela nuvem, naquela

Mando-te meu pensamento:





Que Deus se ocupe do vento.

Os sonhos foram sonhados,
E o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Imensos jardins da insônia,
De um olhar de despedida
Deram flor por toda a vida.
Ai de mim que sobrevivo
Sem o coração no peito,
E Onde estás, Amor-Perfeito?
Longe, longe, atrás do oceano
Que nos meus olhos se alteia,
Entre pálpebras de areia ...
Longe, longe ... Deus te guarde
Sobre o seu lado direito,
Como eu te guardava do outro,
Noite e dia, Amor-Perfeito.


Cecília Meireles
In Retrato Natura



























Flor de Luz



Flor de Luz
Onde estava teu coração
Caminhando longe
De todos os passos
Que achavas ser teus.


Abriste brechas na vida
Caíste em buracos escuros
Garimpaste o amores profundos
Sem descobrir qual amor
Era de fato o teu.


Nos desencontros da vida
Nessas peças que ela te dá
Encontramos nosso amor
E construímos um lar.


Vimos nossos pés feridos
Por nosso cansado andar
Caminhando pela vida
Perdidos de nós a procurar.


Um amor que nos completasse
Um amor que nos saciasse
Um amor que nos extasiasse
Um amor que nos amasse.


Cuidamos das feridas
Juntos para não deixar cicatriz
Aramos a terra da alma
E plantamos nosso amor


Da semente de vida
Regada e cuidada
Com carinho e ardor
Surge linda a nova flor
Que ilumina a vida feliz
A flor de luz, Beatriz.


(Thiago Azevedo)

domingo, 29 de novembro de 2009




Amor sem nexo.
Ricardo Gondim


Amar é ônus.
Quem ama sofre;
todo amor derrama lágrima. 


Amar é tensão.
Quem ama conhece limite;
todo amor exige renúncia.


Amar é desordem.
Quem ama dá liberdade;
 todo amor permite opção.


Amar é ruptura.
Quem ama rompe;
todo amor afasta afeto concorrente.


Amar é convivência.
Quem ama pede companhia;
todo amor busca calor de pele.


Amar é reverência.
Quem ama admira;
todo amor enaltece apaixonadamente.