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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Amor antigo - Drummond de Andrade







O amor antigo





O amor antigo vive de si mesmo,


Não de cultivo alheio ou de presença.


Nada exige nem pede. Nada espera,


Mas do destino vão nega a sentença.


O amor antigo tem raízes fundas,


Feitas de sofrimento e beleza.


Por aquelas mergulha no infinito,


E por estas suplanta a natureza.


Se em toda a parte o tempo desmorona


Aquilo que foi grande e deslumbrante,


O antigo amor, porém, nunca fenece


E a cada dia surge mais amante.


Mais ardente, mas pobre de esperança.


Mais triste? Não. Ele venceu a dor,


E resplandece no seu canto obscuro,


Tanto mais velho quanto mais amor.





Carlos Drummond de Andrade

2 comentários:

Alexandre da Fonseca disse...

BOM DIA LU!!!GRANDE POEMA DO NOSSO CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE....ÓTIMO FINAL DE SEMANA ..BJS

Lucilene Soares disse...

Oie Alexandre, boa noite querido!

Sim, gosto muito dos poemas dele também...

Muito obrigada, ótimo final de semana pra você!

:) Bom te ver aqui!

Beijos

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