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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Amor antigo - Drummond de Andrade







O amor antigo





O amor antigo vive de si mesmo,


Não de cultivo alheio ou de presença.


Nada exige nem pede. Nada espera,


Mas do destino vão nega a sentença.


O amor antigo tem raízes fundas,


Feitas de sofrimento e beleza.


Por aquelas mergulha no infinito,


E por estas suplanta a natureza.


Se em toda a parte o tempo desmorona


Aquilo que foi grande e deslumbrante,


O antigo amor, porém, nunca fenece


E a cada dia surge mais amante.


Mais ardente, mas pobre de esperança.


Mais triste? Não. Ele venceu a dor,


E resplandece no seu canto obscuro,


Tanto mais velho quanto mais amor.





Carlos Drummond de Andrade
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